Brasil

“Negligente e irresponsável”: Bolsonaro diz desconhecer morte de criança pela covid; mais de 300 morreram

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou hoje a criticar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pelo aval à vacinação infantil contra o coronavírus e, em tom alarmista e sem fundamentação científica, colocou em dúvida a eficácia do imunizante da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos.

O governante também disse desconhecer que alguém nessa faixa etária tenha morrido em decorrência da covid-19 no país. Dados do Sivep-Gripe, base de dados do SUS (Sistema Único de Saúde), porém, mostram que ao menos 301 crianças e adolescentes de 5 a 11 anos morreram no país em razão da doença desde março de 2020. No total, foram 6.163 casos registrados de infecção.

Em 2020, ano que teve início a crise sanitária, foram 156 mortes. Já no ano passado, o sistema nacional de saúde contabilizou 145 óbitos no público de 5 a 11 anos. Esses números representam uma incidência de 29,96 casos e 1,46 óbitos a cada cem mil habitantes do grupo etário de referência.

Em entrevista à emissora pernambucana TV Nova, Bolsonaro se dirigiu hoje a pais e mães para pedir que eles “conversem” entre si e com vizinhos a fim de debater a possibilidade de vacinar ou não os respectivos filhos. O governante buscou desencorajar a imunização da faixa etária de 5 a 11 anos com a argumentação de que esse público não estaria sujeito a complicações decorrentes da contaminação por covid-19.

De acordo com a Anvisa, o produto da Pfizer é “seguro e eficaz na prevenção da covid19 sintomática, na prevenção das doenças graves, potencialmente fatais, ou condições que podem ser causadas pelo [vírus] Sars-CoV-2”. A informação consta em comunicado oficial da entidade regulatória publicado em 22 de dezembro, seis dias após a reunião que resultou na aprovação do uso do imunizante.

Sem provas e/ou evidências, Bolsonaro insinuou ainda que a Anvisa e “pessoas taradas por vacina” poderiam ter “interesses” ocultos no aval à aplicação das doses da Pfizer desenvolvidas especificamente para crianças e adolescentes.

Para especialistas em saúde pública, Bolsonaro se mostra “cada vez mais negligente e irresponsável com a saúde pública”

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