22/10/2021

Ação na Justiça pede que jogos da Copa América não sejam disputados no RJ

Uma ação na Justiça foi protocolada nessa segunda-feira (7) para impedir a realização de jogos da Copa América no estado do Rio de Janeiro.

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O local foi escolhido como uma das sedes do torneio, que começa no próximo domingo (13), depois que a Argentina desistiu de realizá-lo em meio à pandemia.

O mandado de segurança contra os jogos no Rio foi feito pelo deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) e ainda será distribuído para um magistrado do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ).

O autor do pedido argumenta que a pandemia está em fase descontrolada e que os jogos colocariam a saúde da população em risco.

“Não estava previsto que a copa América acontecesse no Rio de janeiro. Não tem tempo sequer de preparar protocolos de forma organizada e nosso estado é um dos estados com maior média de mortes por habitantes”, diz Serafini.

A ocupação de leitos de UTI é de 88% em território fluminense e a de leitos de enfermaria é de 65%.

No domingo (6), a média móvel de mortes no estado era de 137 e estava no 10º dia de queda, enquanto a média móvel de novos casos é de 3.487 por dia.

Especialistas são contra

Marcelo Gomes, pesquisador e coordenador do Infogripe, afirma que há sinais de retomada do crescimento da contaminação no território fluminense.

“Do ponto de vista da saúde pública, não faz sentido sediar. É contra tudo o que a gente precisa”.

Ele afirma que o momento exige “dar passos atrás“, em vez de assumir uma responsabilidade como essa.

Para o especialista, reunir jogadores e profissionais do esporte de diferentes países é um componente perigoso em meio às mutações do coronavírus.

“Podemos facilitar a introdução no país de variantes preocupantes de outros países, de onde essas pessoas estão vindo, e da mesma forma podemos facilitar a disseminação a partir do Brasil de volta pro país de trabalho dessas inúmeras pessoas que vão estar envolvidas nos jogos. Variantes do Brasil podendo se espalhar pelo mundo e variantes que estão espalhadas pelo mundo podendo ter entrada no Brasil”

O infectologista Diego Xavier, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), considera a realização dos jogos no Brasil um “absurdo”.

“Parece a intenção de mostrar pra população que está tudo bem, principalmente por parte de alguns gestores, de que as pessoas saíam como não está acontecendo nada. Mas temos 2 mil pessoas morrendo por dia (no país) e, se confirmar o cenário que a gente está prevendo, a gente vai voltar a um nível do que observamos em março e abril, com níveis de óbito muito grande”, diz ele.

O especialista lembra ainda que países como Colômbia e Argentina, com “uma situação muito mais tranquila”, desistiram de sediar o torneio.

“O Bom Senso Futebol Clube não está entrando em campo e o resultado disso vai ser triste para o país.”

*Com informações do G1

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