22/10/2021

Contradizendo Bolsonaro, OMS pede que vacinados continuem a usar máscara

A OMS (Organização Mundial da Saúde) insiste em recomendar o uso da máscara, mesmo para pessoas já vacinadas ou quem já foi infectado pela covid-19.

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Na quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prepara um parecer para desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que já foram vacinados ou contraíram a covid-19 e se recuperaram.

Questionada nesta sexta-feira pela coluna numa coletiva de imprensa em Genebra, a porta-voz da OMS, Margaret Harris, deixou claro que a agência não tem o poder de determinar o uso de máscaras num país, mas que recomenda que a proteção continue sendo usada.

 “Deixamos a cada país tomar sua decisão, mas essa é a nossa recomendação”, disse. “Vacinas são muito boas para evitar doenças. Mas ela não é um tratamento e só agem se você já foi infectado”, insistiu Harris.

“O que queremos é reduzir a transmissão da doença e não sabemos se as vacinas podem evitar transmissão”, explicou. “Usar a máscara, portanto, é para prevenir a transmissão”, disse.

Numa mensagem em suas redes sociais, também nesta sexta-feira, o escritório da OMS na Europa foi clara em sua mensagem. “Vacinas nos aproxima e aproxima do final da pandemia”, diz. “Mesmo se você estiver vacinado, você ainda pode ser infectado e passar o vírus”, alertou. Por isso, a OMS pede que países e sociedades “façam tudo”.

Isso inclui. “manter distância segura, use a máscara e limpe as mãos”. Bolsonaro, na quinta-feira, havia declarado que “conversou com um tal de Queiroga, não sei se vocês sabem quem é, e ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que foram vacinados ou que já foram contaminados”. “Para tirar esse símbolo, que obviamente tem a sua utilidade para quem está infectado”, disse.

Queiroga, porém, afirmou que é preciso que a vacinação avance para que o plano seja colocado em prática. Mas não negou que esse seja o plano. Dados da OMS revelam que a pandemia da covid-19 no Brasil vai na direção contrária da situação internacional.

 Em seu último boletim semanal, a agência indicou que o número de novos casos de contaminação caiu em 15% em sete dias no mundo. Mas, no Brasil, a tendência é de alta e o país registrou um aumento de 7% nesse mesmo período.

Hoje, dos 3 milhões de casos no mundo por semana, o Brasil representa 449 mil nesse total. O volume é superior ao acumulado de todos os países europeus e apenas a Índia ainda conta com uma taxa mais elevada.

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