28/11/2021

Copa América: capitais que vão receber os jogos têm dificuldade para conter pandemia

Capitais escolhidas pelo governo federal para receber os jogos da Copa América, Brasília, Cuiabá, Goiânia e Rio de Janeiro passam por dificuldades para conter a pandemia da covid-19. Um dos indicadores mais relevantes diz respeito à taxa de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), cuja média entre as quatro cidades-sede se aproxima dos 85%, segundo dados de prefeituras e da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Em todos os locais, de cada quatro leitos de UTI, três já estão preenchidos. Brasília tem o maior número, com uma ocupação de 90,58%. Na sequência vem o Rio de Janeiro, com 86%. Cuiabá é o terceiro, com uma taxa de 81,86%. E Goiânia fecha a lista, com 79,3%.

Mas os palcos do torneio de futebol guardam outras semelhanças no enfrentamento à pandemia, como o baixo número de pessoas vacinadas em relação à população estimada de cada local. Nenhuma das cidades-sede chegou à marca de um quarto dos seus habitantes totalmente imunizados contra a covid-19 e a média nos quatro locais de quem tomou a injeção é de apenas 14,5%, de acordo com números do Ministério da Saúde.

Cuiabá é a capital com o maior índice, tendo aplicado as duas doses necessárias em 23% dos habitantes. No Rio, 13% dos cariocas completaram o esquema de vacinação. Em Goiânia, 12,5% da população foi atendida e Brasília só alcançou 9,8% dos moradores.

Juntas, as quatro cidades contabilizam 974.129 casos do novo coronavírus e 43.097 mortes desde o início da crise sanitária. Se fossem um país da América do Sul, teriam mais infecções do que Equador (428.865), Bolívia (374.718), Paraguai (361.440), Uruguai (301.524) e Venezuela (235.567). E mais óbitos do que Chile (29.385), Equador (20.681), Bolívia (14.639), Paraguai (9.293), Uruguai (4.394) e Venezuela (2.661).

Para o médico infectologista Vitor Bertollo, do Hospital de Brasília, a disputa é motivo de preocupação, em especial pelo fato de o Brasil estar longe de controlar o número de casos e mortes pela covid-19 e alcançar uma velocidade razoável de vacinação. “Mesmo que nos jogos não tenham participação de torcida, é natural que os torcedores se reúnam. Aqueles locais que tiverem um percentual menor de vacinado entre a sua população vão ter um risco maior”, alertou.

Em resposta ao Correio, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) justificou a realização do torneio no Brasil salientando que o país, hoje, “tem taxas de infecção abaixo da média sul-americana, de acordo com dados da Universidade John Hopkins. No índice de casos por milhão de habitantes, está em melhores condições que a Argentina ou a Colômbia, países que inicialmente iriam sediar o torneio. As projeções indicam que esta tendência continuará pelo menos nos próximos meses”.

“O Brasil está entre os três países com a maior porcentagem de população vacinada do continente, atrás do Chile e do Uruguai. As cidades escolhidas como cidades-sede estão entre aquelas com a menor incidência da doença”, explicou.

Diante do cenário de dificuldade socioeconômica exposto pela pandemia, os governos das cidades-sede ficariam com a situação ainda mais complicada caso tivessem de arcar com as despesas para a realização da Copa. Contudo, isso não será necessário, de acordo com o Ministério da Cidadania. Segundo a pasta, por se tratar de evento de natureza privada, a organização e a logística são de responsabilidade da Conmebol e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Conforme a projeção apresentada pela Confederação Sul-Americana no início do ano para a realização do torneio, 25% das despesas orçamentadas para garantir a realização das suas competições seria destinado apenas para o torneio entre seleções: em US$ 122,221 milhões (R$ 620 milhões pelo câmbio de ontem).

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