28/11/2021

CPI ouve Luiz Dominguetti, que acusou governo de pedir propina em vacinas

A CPI da Covid recebe, nesta quinta-feira (1°/7), a partir das 9h, o representante da empresa de vacinas Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que afirmou ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde.

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Dessa forma, a comissão antecipa a oitiva de Dominguetti, uma vez que o empresário Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, empresa intermediária nas negociações entre o laboratório indiano Bharat Biotech, que produz a vacina Covaxin, e o Ministério da Saúde, seria recebido nesta quinta no Senado.

Segundo Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, disse ao site Metrópoles, responsável pela matéria, o depoimento de Maximiano deverá ser adiado para sexta-feira (2/7).

Em relato à jornalista Constança Rezende, do jornal Folha de S.Paulo, nessa ferça-feira (29/6), o representante da Davati afirmou que a proposta de propina teria partido do diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, durante um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, região central da capital federal, no dia 25 de fevereiro.

A empresa Davati buscou a pasta para negociar 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca com uma proposta feita de US$ 3,5 por dose (depois disso passou a US$ 15,5). “O caminho do que aconteceu nesses bastidores com o Roberto Dias foi uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa”, disse Dominguetti.

“Aí ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não compusesse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo”, afirmou à Folha o representante da Davati.

Roberto Dias foi indicado ao cargo pelo líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Sua nomeação ocorreu em 8 de janeiro de 2019, na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM). Ele foi exonerado do cargo.

Empresário pode silenciar

Antes de Francisco Maximiano, da Precisa Medicamentos, ganhar tempo para preparar sua participação na CPI, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus ao empresário, garantindo-lhe o direito de permanecer em silêncio e de ser acompanhado por advogado.

A negociação da Covaxin está envolta por suspeitas de irregularidades, com possível benefício indevido à empresa, suspeita de superfaturamento no valor das doses e tentativa de recebimento adiantado por meio de uma offshore em Cingapura, chamada Madison Biotech, que até então não constava em nenhum dos contratos.

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