23/10/2021

CPI quer apurar “cadeia de comando” de ministros militares na pandemia

Generais mais próximos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) podem virar alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. De acordo com o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), os ministros da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, e da Defesa, Walter Braga Netto, conduziram desde o início a “resposta” do Planalto à pandemia.

Nossas Rádios

Diante disso, o senador defende que as ordens dadas pelos generais precisam ser esclarecidas, na medida em que toda ação governamental teria falhado no objetivo de evitar mortes pela Covid-19.

“Acho que cabe uma apuração para definir a linha de comando, a cadeia de comando”, declarou Vieira.

“O essencial é verificar se essa realidade que nós temos hoje poderia ser evitada com medidas corretas. Tudo que a gente levou já como provado para os autos através de depoimentos, documentos, estudos científicos, apontam que sim. A gente poderia ter resgatado ou evitado a morte de centenas de milhares de brasileiros. Aí fazemos a pergunta: o governo fez tudo que podia? A resposta é não. O governo não fez”, disse o senador, em entrevista ao Metrópoles.

“O governo não comprou vacinas e não aprovou providências de articulação nacional. Isso está provado. A gente está na etapa de ver motivações, se essa motivação é por ignorância, negacionismo, ou se ela tem um componente de interesse financeiro e quem são as pessoas que atuam nessa cadeia de comando para que o subordinado receba uma ordem. Nesse ponto, acho que cabe sim falar sobre Braga Netto e Ramos”, afirmou o senador.

No início da pandemia, Braga Netto era o chefe da Casa Civil e foi designado por Bolsonaro para coordenar todas as ações voltadas ao combate à pandemia. Até o momento, a CPI conta apenas com requerimentos para a convocação de Braga Netto.

Um desses pedidos foi apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Na época, o senador ainda fez uma solicitação de informações à Casa Civil para saber sobre voos da Força Aérea com o objetivo de levar participantes do chamado “gabinete paralelo” para reuniões no Planalto.

“Ponto de contato”

Ramos, por sua vez, não tem pedido formalizado. Ele ocupava a Secretaria de Governo, pasta responsável por toda articulação com o Congresso.

Com o envolvimento do nome do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, o senador Alessandro Vieira, porém, alerta para o que chamou de provável “ponto de contato” do Planalto com Barros e com as ordens que foram repassadas ao Ministério da Saúde.

“O Braga Netto comandou o centro de resposta. Foi criado um comitê de resposta rápida e ele foi comandado pelo Braga Netto. Para mim, não funcionou. Com relação ao Ramos, houve essa articulação, esse desejo de um líder, como o Ricardo Barros e o atendimento desse desejo por militares como o Élcio Franco. Quem conhece minimamente os personagens envolvidos, sabe que um Elcio Franco jamais aceitaria uma ordem de um Ricardo Barros. É preciso que ele tenha validação dessa ordem por um oficial superior. Estamos falando dessa mentalidade militar bastante fechada. Talvez a gente tenha aí esse ponto de contato com o Ramos, que precisa ser apurado”, enfatizou Alessandro Vieira.

O ponto a ser esclarecido pela CPI é que os militares com os quais Bolsonaro se cercou, inclusive para a articulação com o Congresso, estavam no comando da desastrosa ação do governo contra covid-19.

“Parece que é aquela coisa de uma compreensão tosca da política, que é assim e se não for assim, não funciona o governo. E se deixa fazer, e se deixa roubar e se deixa muita coisa”, argumentou Vieira.

O site Metrópoles, responsável pela matéria,  entrou em contato com as assessorias dos dois generais, no entanto, nenhum deles respondeu à reportagem. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Desculpe, mas você não pode copiar o conteúdo desta página.