28/11/2021

Líder do “Gabinete do Ódio” repassou vídeos para canal bolsonarista

Depoimentos colhidos pela PF (Polícia Federal) no âmbito do inquérito dos atos antidemocráticos revelam que Tercio Arnaud Tomaz, assessor de Jair Bolsonaro (sem partido) e apontado como líder do chamado Gabinete do Ódio, repassou vídeos do presidente para os responsáveis pelo canal do Youtube Foco do Brasil, alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Nossas Rádios

Gabinete do Ódio é o nome dado a um grupo de assessores que trabalham no Palácio do Planalto com foco nas redes sociais, inclusive na gestão de páginas de apoio à família Bolsonaro que difundem desinformação e atacam adversários políticos do presidente. Além de Tercio, são apontados como integrantes do grupo os assessores palacianos José Mathes Salles Gomes e Mateus Matos Diniz.

O envio sistemático de vídeos para o canal com mais de 2,3 milhões de inscritos foi confirmada por Tercio em depoimento à PF, e referendada por dois responsáveis pelo canal: Anderson Azevedo Rossi, o dono do Foco do Brasil, e Cleitomar Basso.

 De acordo com as investigações, entre março de 2019 e maio de 2020 Rossi recebeu US$ 307.042,14 —o equivalente a mais de R$ 1,54 milhão com a cotação da moeda americana hoje (7) —apenas com a monetização de vídeos no Youtube. O dono do canal Foco do Brasil afirma em depoimento que seu faturamento mensal varia entre R$ 50 mil e R$ 140 mil.

Em seu depoimento, Rossi afirma receber vídeos diretamente de Tercio, que acompanha as agendas presidenciais na condição de servidor público comissionado.

“Também recebeu, por meio do aplicativo WhatsApp, vídeos do presidente Jair Bolsonaro, do Sr. Tercio, que seria assessor do presidente Jair Bolsonaro”, consta em trecho do relatório feito pela PF sobre o depoimento do dono do canal. Rossi revelou ainda ter obtido o contato direto de Tercio diretamente através da “assessoria da Presidência da República”.

Tercio confirma envio de material para canal

Por sua vez, Tercio Arnaud Tomaz confirmou enviar materlal para o Foco do Brasil ao ser confrontado pelos investigadores. “O declarante durante viagens, eventos ou entrevistas do Presidente da República realiza (ou recebe) pequenas filmagens que possam ser distribuídas para canais ou mídia tradicional, situação que abarca o canal FOCO DO BRASIL”, diz o relatório da PF.

 Já Cleitomar Basso informou à PF que “os vídeos apresentados no jornal são disponibilizados publicamente pela agencia Brasil, pelo próprio Presidente da República, entre outras fontes jornalísticas e de personalidades públicas”.

A reportagem entrou em contato com a Presidência da República e com Tercio Arnaud Tomaz para obter um posicionamento sobre o envio dos vídeos, mas não obteve resposta até o momento. O portal UOL também enviou e-mail ao canal Foco do Brasil e aguarda resposta.

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