22/10/2021

Partidos buscam nome para ser a terceira via em 2022

A reunião de presidentes de partidos de centro terminou com um único avanço: a certeza de todos de que é preciso lançar um candidato que transite longe dos extremos representados pela direita de Jair Bolsonaro e da esquerda de Luiz Inácio Lula da Silva. Esse compromisso inicial, porém, não trouxe nenhum nome capaz de aglutinar todas as tendências que estiveram no almoço promovido pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, em uma casa do Lago Sul, regoião nobre de Brasília.

Nossas Rádios

Participaram da reunião os presidentes do PSDB, Bruno Araújo; do Democratas, ACM Neto; do Cidadania, Roberto Freire; do Partido Verde, José Luiz Penna (PV); do Podemos, Renata Abreu; além dos deputados federais Herculano Passos (SP), representando o MDB, e Áureo Ribeiro (RJ), em nome do Solidariedade, além do ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM). “Os dois extremos não pacificam o país, mas agravam a crise brasileira e esse foi o ponto principal dessa conversa. Os partidos estão falando a mesma língua”, avaliou Mandetta, acrescentando que a ideia é de que as legendas continuem se reunindo com frequência para avaliar o cenário e, juntas, buscarem uma solução. Por conta disso, está agendado um novo encontro para o final deste mês ou começo de julho.

Maioria silenciosa

Para Bruno Araújo, a busca de diálogo representa aquilo que chamou de “maioria silenciosa”, que não presta apoio ao bolsonarista e nem ao petismo por acreditarem que os dois projetos naufragaram — o primeiro pelo flerte com os ideais antidemocráticos e o segundo porque, além dos escândalos do Mensalão e do Petrolão, abriu as portas para o avanço de Bolsonaro com a crise econômica e política de 2016. “Essa é uma maioria silenciosa, que não está com bandeira na rua e tampouco em cima da moto no fim de semana. É com esses brasileiros que queremos falar”, observou.

Herculano Passos desconversou sobre um projeto comum futuro, mas considerou positivo o encontro. “Tudo está sendo conversado ainda. Pretendemos nos reunir novamente daqui a 15 dias para alinharmos as opiniões e analisar os nomes indicados por cada partido”, disse. Ele acredita que, à medida que forem acontecendo mais debates como o de ontem, a tendência é de afunilar na direção de um nome de consenso — o que deve acontecer apenas no início de 2022.

Os presidentes do PDT, Carlos Lupi; do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), e do Novo, Eduardo Ribeiro, foram convidados, mas não compareceram e nem mandaram representantes. De acordo com uma fonte, que preferiu manter-se no anonimato, a ausência deles foi compreensível porque têm projetos que se conflitam com os partidos reunidos ontem.

No caso dos pedetistas, Ciro Gomes desponta com representante da legenda para a corrida presidencial tentando angariar o eleitorado de centro esquerda. Já em relação ao PSL, lembrou que o pedido de desligamento da deputada Joice Hasselmann (SP), ao Tribunal Superior Eleitoral, foi por perceber que a agremiação tende a novamente a seguir com Bolsonaro em 2022. O mesmo deve acontecer no caso do Novo, com a desistência de João Amoêdo em tentar o Palácio do Planalto. (Colaboraram Ingrid Soares e Pedro Ícaro, estagiário sob a supervisão de Fabio Grecchi)

Bolsonaro tenta convencer aliados

Com a intenção de discutir sua provável ida para o Patriotas, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com membros do seu antigo partido, o PSL, no final da tarde de ontem, no Palácio da Alvorada, para tentar convencê-los a ir com ele para a nova legenda — apesar de ainda não ter se decidido pela filiação ao partido que já conta com seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ). “Talvez nem todos o acompanhem porque não é interessante concentrar os bolsonaristas numa única sigla”, disse a deputada Alê Silva (MG), que esteve no encontro ao lado de Bia Kicis (DF), Carla Zambelli (SP), Hélio Lopes (RJ), Major Vitor Hugo (GO) e outros. A direção do Patriotas espera uma decisão de Bolsonaro até a próxima terça-feira.

Huck desiste de se lançar candidato

O apresentador e empresário Luciano Huck afirmou que não vai se lançar como candidato à Presidência da República em 2022. A negativa foi dada em entrevista ao programa Conversa com Bial, exibido pela Rede Globo, na madrugada de ontem. Em vez de disputar o Palácio do Planalto, ele confirmou que vai assumir os domingos da emissora, substituindo Fausto Silva — que deve voltar à Band.

“Tenho certeza de que posso contribuir muito para o país estando nos domingos da Globo e fazendo um programa que se conecte com as pessoas, que ouça as pessoas, que traga a esperança de volta e resgate nossa autoestima. Mas isso não quer dizer que eu estou fora do debate público”, explicou.

Huck disse ter conhecido a realidade das diferentes regiões do Brasil após viajar por 21 anos gravando quadros de seu programa, o Caldeirão, o que o teria incentivado a pensar soluções para problemas sociais. No entanto, classificou sua trajetória como “mais política do que partidária” e descartou a intenção de tentar chegar ao Palácio do Planalto ano que vem.

“Eu nunca me lancei oficialmente como candidato a nada, para deixar claro. Então, não estou retirando uma candidatura”, salientou.

O apresentador criticou a tentativa de politização das Forças Armadas pelo atual governo. “Acho arriscada essa relação por projetos pessoais e partidários que se sobrepõem à missão dos militares”, disse, ressaltando que considera esse debate como “muito importante na defesa da democracia”. “Tem um monte de gente, hoje, que você vê que está na vida pública, que o projeto é pessoal”.

Conversas

Sinalizando uma candidatura que se opusesse à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, o empresário e apresentador vinha mantendo conversas com ao menos seis partidos desde o ano passado. Em 2021, Huck se aproximou do PSB, após sua relação com o DEM esfriar devido à guinada governista da legenda. Seu nome também foi sondado por PSDB, Podemos, Cidadania e PSD, mas nenhum aceno resultou em filiação partidária.

Ao se colocar como possível terceira via em 2022, o projeto de Huck concorria com o do governador de São Paulo, João Doria, que também tenta se lançar como alternativa à polarização por meio de aliança com partidos da centro-direita.

No início do ano, especulou-se que o apresentador poderia integrar uma frente anti-Bolsonaro com participação da esquerda. Em conversas nos bastidores, ele elogiou a gestão do governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB. O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) chegou a indicar a possibilidade de fusão entre a legenda e o PSB para hospedar uma candidatura, e revelou que houve conversas entre os líderes dos dois partidos.

As articulações de Huck para se lançar candidato ao Planalto não são recentes. O apresentador chegou a cogitar ingressar na corrida eleitoral em 2018, incentivado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas descartou a possibilidade após pressão da Globo. Perguntado sobre sua escolha na ocasião, ele afirmou que “disse não em 2018 porque o sistema estava derretido”, e repetiu que “falta projeto de país” ao Brasil.

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