24/10/2021

Polícia Civil afastou agentes que participaram da ação que causou morte de jovem com transtornos mentais

A Polícia Civil do Maranhão afastou 3 policiais que participaram da ação que causou a morte do jovem Hamilton Cesar Lima Bandeira, de 23 anos, na última sexta-feira (18), na cidade de Presidente Dutra, cidade de pouco mais de 47 mil habitantes, distante 347 quilômetros ao sul de São Luis.

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Informações dão conta que Hamilton Cesar, que tinha transtornos mentais, e teria feito uma postagem desejando ‘boa sorte’ ao Lázaro Barbosa, o homicida nacionalmente conhecido como “serial killer do DF”, que está sendo procurado há 13 dias em Goiás.

A publicação em apologia ao criminoso, fez com que três policiais civis da Delegacia de Presidente Dutra fossem até a casa de Hamilton, na última sexta, no povoado Calumbi, naquela cidade, e acabaram atingindo Hamilton com dois tiros, sendo que o jovem morreu após dar entrada no hospital.

Em nota divulgada pela Polícia Civil do Maranhão, a informação é de que a equipe saiu para atender a uma ocorrência de ameaça e apologia ao crime, enfatizando que “os policiais foram ameaçados pelo suspeito que estava de posse de uma arma branca (faca)”. O delegado de Presidente Dutra, César Ferro, disse que o jovem ameaçou os policiais com uma faca.

 Familiares desmentem a versão da polícia, destacando que Hamilton não estava armado no momento da ação dos agentes. O pai de Hamilton, Antônio Bandeira, disse em reportagem que o filho tinha chegado de um campo, almoçou e se deitou e, em seguida, sendo que em seguida apareceram os policiais.

Ainda segundo relato de Antonio Bandeira, “não tinha maior sentido os policiais chegarem lá assassinando Hamilton César”. Revoltado, o pai do jovem complementou dizendo que “ele não usava ferramenta nenhuma. A polícia não falou nada, quando chegou lá foi metendo bala, que quase matou um idoso de quase 100 anos”.

O pai contou ainda como era o filho com a população da localidade. “Ele tinha acabado de chegar do campinho com as crianças que andavam mais ele. Ele não fazia um pingo de medo em sociedade alguma. Ele era meninão. Tinha 23 anos, mas o sentido era de criança”, relatou Antônio.

Para a família, o que Hamilton postava era motivado pelos transtornos mentais que sofria desde criança. Por sua vez, o avô de Hamilton, de 99 anos, presenciou o caso e também contesta a versão policial.

Um inquérito foi aberto para apurar a morte de Hamilton, sendo que o Ministério Público do Maranhão e a Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDIHPOP) estão acompanhando o caso.

Segundo a Polícia Civil, além do afastamento dos três policiais envolvidos no caso, foram enviados agentes do Departamento de Homicídios e da Superintendência de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor) para investigar a conduta dos policiais.

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